Porto Alegre, 21 de fevereiro de 2025 Ano 19 - N° 4.333
BOVINOCULTURA DE LEITEAs temperaturas altas continuaram causando estresse térmico aos animais, diminuindo o tempo de pastejo e a produção de leite em diversas regiões. Ainda há necessidade de oferta de alimentos conservados e concentrados para manter a dieta dos animais. Em várias regiões, foram registrados problemas de qualidade de leite.Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Campanha, excelentes chuvas trouxeram melhoria considerável no bem-estar das matrizes devido à queda das temperaturas. Volumes expressivos em dois eventos permitiram elevar parcialmente o nível de água dos açudes, bem como restabeleceram plenamente a umidade no solo. Há boas expectativas quanto ao rebrote das pastagens que estavam recebendo manejo no que se refere à manutenção de resíduo adequado.
Em Santana do Livramento, a perda na produção de silagem de milho está consolidada, e alguns produtores estão adquirindo sementes para a implantação de aveia destinada à ensilagem como forma de minimizar o déficit de volumoso conservado, utilizado na suplementação das dietas durante o período de inverno.
Na de Caxias do Sul, as chuvas e a estabilidade das temperaturas em níveis de conforto térmico devem normalizar a produção de leite. Para aliviar os efeitos do calor, foram utilizados ventilação e aspersores, e providenciada sombra aos animais criados em sistemas à base de pasto. Foi ofertado aos animais complementação e suplementação com ração e silagem em locais cobertos nos horários mais quentes do dia, o que contribuiu para a saúde dos rebanhos. As condições sanitárias seguem dentro do normal para a época, excetuando-se a infestação de moscas. As vacas em lactação mantidas em sistemas confinados e à base de pasto receberam suplementação com silagem e/ou ração concentrada, de forma balanceada, mitigando os efeitos de calor extremo. A qualidade do leite produzido na região está adequada, tanto em termos de Contagem de Células Somáticas quanto em Contagem Padrão em Placas, e os índices estão compatíveis com os padrões estabelecidos pela legislação.
Na de Erechim, o desempenho da atividade ficou um pouco comprometido pelas altas temperaturas e pela diminuição das chuvas nas últimas semanas, embora os volumes de precipitação tenham variado de 80 a 100 mm, o que ajudou na recuperação das vazões das fontes e na melhora do nível de água em alguns açudes. Os produtores aumentaram a oferta de alimentos conservados para os rebanhos devido à diminuição do potencial de rebrote das pastagens. Nos arredores dos estábulos, elevação da umidade e da formação de barro trazem riscos de doenças, como mastite, e problemas de casco. No geral, a saúde dos rebanhos permanece dentro da normalidade, e as vacinações reprodutivas seguem em dia. Os dias secos favoreceram os rebanhos em sistemas de pastoreio e a ordenha em estábulos.
Na de Frederico Westphalen, a produção de leite está baixando em função da sazonalidade e da influência significativa das altas temperaturas. O bom desenvolvimento das pastagens não está sendo suficiente para aumentar o consumo de alimentos em decorrência do calor, que diminui o bem-estar animal e por consequência a produção. Os produtores estão usando mais alimentos conservados (silagem) para ajudar na manutenção dos animais.
Na de Ijuí, o volume de leite produzido está estável. O clima quente ainda causa estresse aos animais, em especial nos sistemas de produção a pasto, pois há poucos locais de sombra. Também houve redução no consumo de pastagens nos períodos mais quentes do dia, o que afeta a regularização da temperatura corporal.
Na de Passo Fundo, ainda tem sido necessário o fornecimento de silagem e de ração concentrada para suprir a demanda energética dos animais. Além disso, a oferta de sal mineral e tamponante continua essencial para prevenir casos de acidose metabólica. As altas temperaturas têm favorecido a proliferação de mosca-dos-chifres.
Na de Pelotas, a produção leiteira varia conforme o conforto térmico, que foi impactado pelas altas temperaturas, diminuindo a ingestão de alimentos. Seguem os manejos preventivos e os ajustes de rotinas para minimizar perdas.
Na de Porto Alegre, apesar das chuvas terem sido irregulares, os rebanhos mantiveram o bom estado corporal, mas a produção vem sofrendo redução devido às altas temperaturas. O estresse calórico, em especial nas vacas de alta produção, impactam os índices reprodutivos. Não há relatos de dificuldade para realizar o controle sanitário das vacas em lactação. No entanto, os rebanhos de vacas vazias, terneiras e novilhas vem demandando maior atenção em relação às práticas de manejo, especialmente controle de moscas, carrapatos e bicheiras.
Na de Santa Maria, as chuvas favoreceram a atividade leiteira, aumentando a oferta de pasto para o rebanho. Porém, o quadro ainda está crítico. Continua baixa a oferta de forragem para os animais, por isso, os produtores mantêm a suplementação alimentar para evitar perdas na produção do leite.
Na de Santa Rosa, o intenso calor e a baixa umidade do ar e do solo, que reduzem o desenvolvimento das forrageiras, provocaram queda significativa na produção diária de leite. Aumentaram os surtos de moscas e carrapatos e consequentemente os casos de tristeza parasitária bovina (TPB). O calor intenso também tem diminuído o tempo de pastejo, pois os animais preferem permanecer sob sombra e em locais com água para se refrescar, como açudes e áreas com barro, aumentando a ocorrência de mastite. Nas propriedades mais tecnificadas, os animais permanecem nos galpões de alimentação, onde há ventilação e aspersão para aliviar os efeitos das altas temperaturas. Mesmo assim, ocorre redução na produção de leite.
Na de Soledade, as chuvas deixaram as temperaturas mais amenas, aliviando o estresse calórico para os rebanhos.
As informações são da Emater editadas pelo Sindilat
BOLETIM INTEGRADO AGROMETEOROLÓGICO Nº 08/2025 – SEAPI
O Rio Grande do Sul enfrentou uma semana de condições climáticas variadas, com chuvas volumosas e temperaturas mais amenas, segundo o Boletim Integrado Agrometeorológico Nº 08/2025, divulgado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI). Entre os dias 13 e 19 de fevereiro, o avanço de uma frente fria e a formação de sistemas meteorológicos influenciaram o clima no estado.
A colheita de milho para silagem já atinge 70% da área plantada, beneficiada pelo equilíbrio entre umidade e demanda hídrica. As lavouras implantadas em janeiro receberam adubação nitrogenada e potássica, favorecendo seu desenvolvimento sem impactos significativos de estresse hídrico.
As chuvas também auxiliaram a retomada dos campos nativos, especialmente na Região da Campanha. No entanto, na Fronteira Oeste, onde a estiagem foi mais prolongada, a recuperação da pastagem ocorre de forma mais lenta. Os bovinos de leite sofreram com o estresse térmico antes das chuvas, reduzindo o tempo de pastejo e a produção. Com o alívio nas temperaturas e a reposição da umidade do solo, houve melhora no bem-estar animal, embora ainda seja necessário complementar a alimentação com forragens conservadas e concentrados.
De 20 a 23 de fevereiro, o tempo seco deve predominar no estado, com possibilidade de chuvas isoladas no norte e litoral. A partir de sexta-feira (21), um sistema de alta pressão manterá o clima estável, favorecendo a elevação das temperaturas e o retorno do calor intenso. No final de semana, as máximas continuarão subindo gradativamente, podendo superar os 35°C em algumas regiões.
A tendência para os dias 24 a 26 de fevereiro indica a manutenção do tempo seco e temperaturas elevadas, com máximas próximas de 40°C. Na quarta-feira (26), um novo sistema de instabilidade poderá trazer chuvas ao estado, especialmente na Fronteira Oeste, Campanha e região Sul, com acumulados que podem atingir até 20 mm.
Os produtores devem se preparar para a continuidade do clima quente e acompanhar as previsões para possíveis mudanças na disponibilidade hídrica nas próximas semanas.
As informações são da Seapi editadas pelo Sindilat
Monitoramento climático pode auxiliar na mitigação de danos causados por eventos extremos
O monitoramento se apresenta como estratégia para que os produtores rurais gaúchos se preparem para os episódios climáticos que vêm ocorrido no Rio Grande do Sul. Este foi o tema apresentado pelo coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), Flávio Varone, nesta terça-feira (18/2), na Abertura Oficial da Colheita do Arroz em Capão do Leão.
“Os eventos climáticos que têm ocorrido no estado vêm causando prejuízos, e há uma projeção do que pode vir por aí em termos de mudanças climáticas. A utilização de estratégias de mitigação de danos causados vai trazer uma melhoria significativa ao setor agropecuário”, avaliou.
Produtos do Simagro-RS podem dar suporte a essas estratégias, como o monitoramento climático feito pela rede de estações meteorológicas e os alertas regionalizados.
“Temos inovações recentes e podemos criar vários sistemas de alerta isolados, para cada cultura. Podemos simular e fazer a projeção nos períodos em que possam ocorrer doenças em diversos cultivos, como o Alerta Videiras, que criamos para o setor vitícola. A ideia é expandir esse sistema de alertas específicos para algumas culturas”, detalhou.
O coordenador do Simagro-RS também apresentou alguns projetos em andamento, como o estudo sobre o cultivo da erva-mate em diferentes formas de manejo, a sombra ou a pleno sol, em Ilópolis. “Outro projeto aborda o sistema agrossilvipastoril, com estações meteorológicas comparativas em áreas com e sem esse sistema, em Cacequi e Barra do Ribeiro”, concluiu.
As informações são da SEAPI
Jogo Rápido
Plano Safra: Tesouro suspende novas contratações de linhas de financiamento
O Tesouro Nacional anunciou nesta quinta-feira (20) a suspensão de novas contratações de financiamentos subvencionados pelo Plano Safra 2024/25. A medida, que passa a valer a partir da sexta (21), não contempla operações de custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Segundo ofício enviado às 25 instituições financeiras operadoras do crédito subsidiado, a decisão leva em conta principalmente o aumento na taxa básica de juros.“Devido à divulgação de nova grade de parâmetros oficial pela Secretaria de Política Econômica no início do presente mês e ao recebimento de informações atualizadas da previsão de gastos com o estoque de operações rurais contratadas com equalização de taxas de juros, as estimativas dos gastos para 2025 com a referida subvenção econômica foram atualizadas, tendo como resultado um aumento relevante dos gastos devido à forte elevação nos índices econômicos que compõem os custos das fontes em relação aos utilizados na confecção do Projeto de Lei Orçamentária – Ploa 2025, ainda em tramitação no Congresso Nacional”, diz o documento assinado pelo secretário do Tesouro, Rogério Ceron. Na semana passada, o subsecretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, havia sinalizado que o governo poderia realocar saldos de recursos de linhas equalizadas do Plano Safra atual para linhas de financiamento do Pronaf, nas quais há esgotamento de recursos. (Canal Rural)