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03/04/2025

Newsletter Sindilat_RS

Porto Alegre, 03  de abril de 2025                                                           Ano 19 - N° 4.365


GDT 377: avanços nos preços internacionais dos lácteos

Como ficam os preços internacionais dos lácteos nessa quinzena? O Leilão GDT 377, que aconteceu em 01/04, traz novos valores.

O 377º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) foi realizado nesta terça-feira (01/04) e seguiu apresentando movimentos de preços variados entre as categorias de produtos. O GDT Price Index, que representa a média ponderada dos produtos negociados, ficou em USD 4.250/ton, registrando um avanço de 1,1% em relação ao evento anterior, conforme mostrado no Gráfico 1.

Gráfico 1. Preço médio em leilão GDT.  

Dentre as categorias negociadas no GDT, o leite em pó integral (LPI), principal produto, continuou registrando estabilidade em seu preço médio, sendo negociado por USD 4.062/ton – um pequeno recuo de 0,1% em relação ao leilão anterior, conforme é possível observar no Gráfico 2.

Gráfico 2. Preço médio LPI.

O leite em pó desnatado e o Cheddar tiveram avanços em seus preços no último evento, de 5,9% e 1,7%, respectivamente, com o leite em pó desnatado atingindo seu maior preço negociado dos últimos nove leilões. Por outro lado, algumas categorias recuaram, como a Mozzarela (-4,0%) e a manteiga, que recuou 1,2%. 

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 01/04/2025.

Impacto nos contratos futuros
Os contratos futuros de leite em pó integral na Bolsa da Nova Zelândia (NZX Futures) apresentaram pequenas correções de altas para os próximos meses, apesar das expectativas de produção de leite elevadas em alguns países exportadores.

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

Os avanços registrados para algumas categorias demonstraram uma procura positiva para parte dos produtos lácteos negociados durante o leilão internacional. Apesar do leite em pó integral industrial ter registrado estabilidade, ainda é possível observar uma demanda de outros países compradores pelo produto exportado pelo Mercosul, aumentando a competitividade pelo derivado com os compradores brasileiros.

Nesse cenário, os preços internacionais praticados pelo Mercosul também seguem em trajetória de alta. Além da demanda, a menor produção de leite sazonal dos países fornecedores do Mercosul e a consequente menor disponibilidade para exportação são fatores que também influenciam nessas altas praticadas nos preços internacionais.

Assim como pontuado na análise anterior sobre o GDT, a ameaça de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, especialmente sobre seus vizinhos Canadá e México, ainda geram muitas incertezas no setor no curto prazo. No próximo dia 02, Donald Trump deve realizar novos anúncios em relação a sua política tarifária.

As informações são Leilão GDT, com análises da equipe MilkPoint Mercado. 

 

Por que o Tik Tok tem um poder colossal de ditar tendências alimentares?

A plataforma influenciou o que as pessoas comem e remodelou a forma como as modas e tendências alimentares surgem. Para alguns produtos lácteos não foi diferente. Entenda!

Nos últimos dias, um dos assuntos em alta foi a possibilidade da suspensão do Tik Tok nos EUA, o que acabou acontecendo por algumas horas e o caso não está de todo resolvido. Mas o que aconteceria para um setor de peso que atua na plataforma, como é a gastronomia, se de fato a rede social fosse suspensa? A resposta é: a gastronomia seria obrigada a se preparar para uma mudança sísmica.
O TikTok transformou pratos como o café batido, a pasta de feta assada e os tacos birria em sensações globais da noite para o dia. A plataforma não apenas influenciou o que as pessoas comem — ela remodelou a forma como as modas e tendências alimentares surgem, espalhando ingredientes de nicho para o mainstream e para os cardápios de restaurantes, criando um espaço onde qualquer pessoa poderia se tornar influenciadora de tendências.

A rede social possui uma base global de usuários ativos mensais que ultrapassa 1 bilhão, sendo cerca de 170 milhões nos EUA, seguido por Indonésia (123,8 milhões). O Brasil aparece em terceiro lugar com 98,6 milhões de usuários, mais México (68,9 milhões) e Vietnã (62,6 milhões). Algumas hashtags relacionadas a alimentos dão uma dimensão de seu alcance. Dados recentes mostram a #foodtiktok com 106,6 bilhões de visualizações; a #cooking com 141 bilhões de visualizações, #food possui 486 bilhões de visualizações e #recipe já passou de 65 bilhões de visualizações.

No ano passado, a Statista estimou o valor da marca TikTok/Douyin em US$ 84 bilhões, mas há analistas que apostam valores acima de US$ 100 bilhões, incluindo todos os ativos e operações, especialmente seu algoritmo proprietário.

No setor de laticínios, o impacto do TikTok é igualmente relevante. Um exemplo claro desse impacto no setor de lácteos é o “boom” nas vendas de queijo cottage nos Estados Unidos. O fenômeno pode parecer exagerado, mas é real: o TikTok impulsionou as vendas dessa categoria a níveis surpreendentes. Segundo a Circana, empresa de pesquisa de mercado sediada em Chicago, nos Estados Unidos, as vendas de queijo cottage cresceram expressivamente no período de 52 semanas encerrado em 25 de fevereiro de 2024. As vendas em dólares de queijo cottage aumentaram 16% em comparação ao ano anterior, alcançando US$1,33 bilhão, enquanto as vendas em unidades cresceram 11%, totalizando 485 milhões. Essas dinâmicas evidenciam como o TikTok age como um catalisador para a popularização de produtos lácteos, conectando marcas e consumidores em um ritmo sem precedentes.

A influência do TikTok também vai além das vendas. Ele remodela percepções culturais sobre os laticínios, popularizando não apenas produtos tradicionais, mas também itens de nicho e alternativas, como queijos artesanais e produtos sem lactose. Criadores de conteúdo utilizam a plataforma para educar os consumidores sobre a origem dos produtos, modos de produção sustentáveis e tendências gastronômicas, gerando impacto direto nas escolhas alimentares.

Como o TikTok mudou a receita para tendências

As tendências alimentares frequentemente seguem um trajeto que pode ser mapeado usando modelos como o Ciclo de Adoção de Cardápios (MAC) da Datassential. Segundo a Datassential, esse ciclo geralmente consiste em quatro etapas:

Início: Pratos inovadores surgem em cozinhas de alto nível e espaços de jantar experimentais.

Adoção: Essas tendências ganham tração em mercados de nicho e estabelecimentos gastronômicos sofisticados.

Proliferação: Elas se expandem para restaurantes casuais e fast-casual.

Onipresença: Finalmente, chegam às prateleiras de supermercados e às cozinhas domésticas.

Esse processo normalmente levava anos. A entrada do TikTok encurtou drasticamente esse cronograma, transformando tendências como a pasta de feta assada, por exemplo, em fenômenos culturais em semanas. No caso dos laticínios, isso é especialmente evidente na forma como certos queijos e iogurtes passaram de itens regionais para favoritos globais em questão de dias, conectando consumidores ao mercado lácteo de forma direta e interativa.

O algoritmo do TikTok, conhecido por elevar conteúdos com alto engajamento, permitiu que até mesmo criadores de nicho alcançassem grandes audiências quase da noite para o dia. Conteúdos relacionados a alimentos se tornaram uma das categorias mais poderosas do TikTok, atraindo milhões de espectadores diários e ajudando marcas a se conectarem diretamente com os consumidores. O blog de publicidade do TikTok destaca seu sucesso em estimular receitas virais e promover um senso de comunidade que incentiva uma ampla participação, de variações de receitas geradas por usuários a desafios de marcas.

Se o TikTok desaparecer, o mundo da gastronomia pode voltar a ciclos mais lentos, impulsionados por chefs. Embora plataformas como Instagram Reels e YouTube Shorts possam preencher a lacuna, seus algoritmos menos dinâmicos e estética mais polida podem não replicar o ritmo ou a autenticidade bruta do TikTok.

Ondas econômicas e sociais
O TikTok não foi apenas o ponto de partida para as tendências alimentares; a plataforma e a velocidade de adoção as transformaram em potências econômicas. Receitas virais causaram picos reais de vendas — como a escassez de queijo feta em 2021 e um aumento de 166% nas vendas de queijo cottage. Restaurantes, em particular, se beneficiaram imensamente.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela agência de marketing MGH, 36% dos usuários do TikTok disseram ter visitado ou pedido comida de um restaurante após assistir a um vídeo sobre ele no TikTok. Esses dados destacam a capacidade incomparável do TikTok de conectar a descoberta de alimentos com ações dos consumidores, misturando tendências alimentares com comércio de uma forma que nenhuma outra plataforma conseguiu igualar.

Para pequenas empresas, o TikTok foi um divisor de águas, permitindo que restaurantes locais e marcas alimentares emergentes alcançassem uma audiência global. Foi uma plataforma onde a autenticidade prosperou, ajudando criadores e restaurantes a se conectarem com públicos ávidos por experiências culinárias genuínas.

O que vem a seguir para tendências e cultura alimentar?
A ausência do TikTok deixaria um vazio na cultura alimentar rápida e orientada por algoritmos que ele criou. Seu papel em impulsionar tendências virais e fomentar conexões autênticas o distinguiu de qualquer outra plataforma. Caso houvesse alguma ruptura, criadores e entusiastas enfrentariam um futuro incerto. Sem a capacidade incomparável do TikTok de democratizar a influência e promover conexões globais, o ritmo da inovação culinária pode desacelerar, deixando canais tradicionais, como a mídia dirigida por chefs e o marketing corporativo, para preencher a lacuna.

Enquanto o futuro do TikTok permanece em certa medida incerto, seu impacto é inegável. Ele mudou não apenas o que as pessoas comem, mas como elas se conectam com os alimentos, tornando-se um marco cultural para milhões de pessoas. Conforme a poeira vai baixando, as implicações de longo prazo para a inovação alimentar e a troca culinária global ainda estão por vir — abrindo caminho para um próximo capítulo. As informações são da Forbes, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Ondas de calor e estiagem impactam atividade leiteira no RS

É o que indica o Comunicado Agrometeorológico da Seapi

Eventos meteorológicos extremos (ondas de calor e estiagem), que ocorreram no último verão, impactaram significativamente a atividade leiteira. Houve perda de produção; baixo desempenho reprodutivo das vacas; maior suscetibilidade às doenças, como a mastite; e aumento dos custos de produção. Tudo em decorrência da associação de fatores como estresse térmico calórico moderado, deficiente disponibilidade forrageira nos campos e má qualidade da água. É o que aponta o Comunicado Agrometeorológico 83 - Especial Biometerológico Verão 2024/2025– “Biometeorologia aplicada à bovinocultura de leite no Rio Grande do Sul: condições meteorológicas, índice de temperatura e umidade (conforto térmico) e estimativa de efeitos na produção de leite no verão 2024/2025”, publicado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). 

Segundo uma das autoras da publicação, a agrometeorologista Ivonete Tazzo, o Comunicado analisa as condições meteorológicas ocorridas na estação, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. “Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), o estudo documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico às quais os animais ficaram expostos, estimando os efeitos na produção de leite. Além disso, apresenta mapas com a espacialização dos valores médio e máximo do índice no Estado e dos valores estimados da queda de produção de leite diária das vacas em oito níveis, que vão de cinco a 40 quilos”, explica. 

Ivonete conta que os registros de temperaturas mínimas e máximas absolutas do ar elevadas ocorridas no trimestre (dezembro de 2024, janeiro e fevereiro de 2025) indicaram situações de estresse térmico calórico para vacas leiteiras, que se agravaram ao longo da estação. “Destacam-se os meses de janeiro e fevereiro de 2025, quando somente 42,6% e 28,3% das horas avaliadas propiciaram conforto térmico aos animais. Durante o mês de fevereiro, ocorrências simultâneas de ondas de calor, com temperaturas máximas do ar acima de 35°C, e de precipitações pluviais irregulares e de baixo volume foram registradas, principalmente, nas regiões Central, Campanha e Noroeste. Destaca-se que nesta última se concentra a maior produção de leite do Rio Grande do Sul”, exemplifica a pesquisadora. 

Outra autora da publicação, a médica veterinária Adriana Tarouco, acrescenta que situações de estresse térmico de leve a moderado foram identificadas na média de 41% das horas avaliadas ao longo do trimestre. “Todas as regiões apresentaram potencial para condição de estresse calórico durante o verão (inclusive regiões que tradicionalmente não costumam apresentar, como a Serra do Nordeste), destacando-se o Vale do Uruguai, o Baixo Vale do Uruguai e a região Missioneira”, diz Adriana. 

As duas comentam que os produtores rurais tiveram que ficar atentos à exposição dos animais a estas condições desafiadoras, pois declínios de produção diária de leite entre 24,5% a 28% foram estimados. “Logo, estratégias de manejo tiveram de ser adotadas para minimizar estes efeitos ambientais e, assim, evitar prejuízos econômicos na atividade leiteira”, pontuam Adriana e Ivonete. 

A publicação é uma iniciativa do Grupo de Estudos em Biometeorologia, constituído por pesquisadores e bolsistas das áreas da Agrometeorologia e Produção Animal.  

O Comunicado Agrometeorológico Especial - Biometeorológico tem publicação trimestral e está disponível na seção de Agrometeorologia da Seapi: www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.  (SEAPI)


Jogo Rápido

Preço do leite tende a se manter estável este ano
O coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, projetou uma estabilidade no preço do produto em 2025. Ele revelou que ocorreu uma elevação de 0,62% no valor de referência projetado para o leite. Ouça a entrevista clicando aqui. (Agert)


 
 
 

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