Porto Alegre, 27 de março de 2025 Ano 19 - N° 4.360
Descubra algumas razões científicas para manter o leite na sua alimentação
Essencial para a saúde óssea, esse mineral também participa da contração muscular e do controle da pressão arterial
Desde tempos imemoriais, o ser humano e o leite compartilham uma longa trajetória. Evidências históricas indicam que já em 5000 a.C. nossos ancestrais dominavam a arte da ordenha, garantindo uma fonte nutritiva essencial à sobrevivência. No entanto, em tempos recentes, esse vínculo tem sido questionado por um fenômeno conhecido como “terrorismo nutricional”, que rotula certos alimentos como vilões da saúde.
Por outro lado, a ciência vem mostrando que excluir os laticínios da dieta sem justificativa médica pode ser um equívoco. Pesquisas recentes, como um estudo publicado em novembro no Clinical Nutrition, revelam que a maioria dos laticínios não está associada ao risco de pré-diabetes.
Na verdade, os resultados sugerem que o consumo de leite desnatado pode até reduzir as chances de desenvolver essa condição. No entanto, há um alerta: a ingestão excessiva de laticínios ricos em gordura pode trazer efeitos negativos.
O Pré-diabetes e o papel da alimentação
O pré-diabetes caracteriza-se por níveis elevados de glicose no sangue, mas ainda abaixo do limiar diagnóstico do diabetes tipo 2. Detectado precocemente por meio de exames laboratoriais, ele pode ser revertido com mudanças no estilo de vida, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios. Caso contrário, a progressão para o diabetes tipo 2 pode trazer sérias complicações à saúde, incluindo problemas circulatórios, renais e oculares.
Para entender melhor essa relação, cientistas europeus analisaram dados de 7.521 indivíduos do estudo britânico Fenland. Embora a pesquisa não comprove causalidade, os achados abrem novas perspectivas sobre o impacto dos laticínios na saúde metabólica.
Leite e a saúde do coração
Muito se especula sobre a influência dos laticínios nas doenças cardiovasculares. Contudo, estudos recentes indicam que, quando consumidos com moderação, esses alimentos não elevam o risco de problemas cardíacos. No Brasil, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil) apontou até benefícios para as artérias. E quanto às inflamações? Até o momento, não há comprovação de que os laticínios sejam gatilhos diretos para processos inflamatórios. Mas para indivíduos com alergias ou intolerâncias, o cenário muda.
Alergia ou intolerância? Entenda a diferença
Alergia ao leite é uma reação imunológica exacerbada contra a proteína da bebida, desencadeando sintomas como vômitos, diarreia e dificuldades respiratórias. Exames específicos ajudam a diagnosticar a condição. Já a intolerância à lactose ocorre devido à baixa produção de lactase, enzima responsável pela digestão do açúcar do leite. Nesse caso, os sintomas incluem inchaço abdominal, gases e desconfortos intestinais. Testes clínicos e genéticos podem confirmar o quadro.
Se a ingestão de laticínios não causa desconforto e não há restrições médicas, não há razão para bani-los da dieta. Pelo contrário, sua exclusão pode resultar em deficiências nutricionais.
Laticínios: Uma fonte de nutrientes essenciais
Leite e derivados são verdadeiros pacotes de nutrição. As diretrizes alimentares recomendam o consumo de três porções diárias, destacando-se o cálcio como um dos nutrientes mais valiosos. Essencial para a saúde óssea, esse mineral também participa da contração muscular e do controle da pressão arterial.
Além disso, os laticínios fornecem proteínas de alta qualidade, como a caseína, indispensáveis para a manutenção muscular e a saciedade. No quesito vitaminas, esses alimentos oferecem vitamina A, várias do complexo B e pequenas quantidades de vitamina D, fundamentais para a imunidade e a fortificação óssea.
No entanto, há um componente que exige atenção: a gordura saturada. O consumo excessivo pode elevar os níveis de colesterol e afetar a saúde cardiovascular. Por isso, a recomendação para adultos é optar pelo leite desnatado e por queijos magros, como minas frescal, cottage e ricota.
Equilíbrio é a chave
O segredo está na moderação e na escolha consciente. Ler rótulos, equilibrar o consumo e não cair em modismos alimentares são passos fundamentais para uma alimentação saudável. Afinal, exageros – para mais ou para menos – podem comprometer a saúde. Quando se trata de nutrição, a melhor receita continua sendo o bom senso. (Catraca Livre)
Conseleite Minas Gerais
A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 26 de Março de 2025, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:
a) O maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Janeiro/2025 a ser pago em Fevereiro/2025.
b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Fevereiro/2025 a ser pago em Março/2025.
c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2025 a ser pago em Abril/2025.
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.
CALCULE O SEU VALOR DE REFERÊNCIA
O Conseleite Minas Gerais gera mais valores do que apenas o do leite base, maior, médio e menor valor de referência, a partir de uma escala de ágios e deságios por parâmetros de qualidade e ágio pelo volume de produção diário individual, apresentados na tabela acima. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade e o volume, o Conseleite Minas Gerais disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas, contagem bacteriana e pela produção individual diária. O simulador está disponível no seguinte endereço eletrônico: www.conseleitemg.org.br.
Rabobank prevê mercado global de lácteos crescendo de forma moderada em 2025, com estoques baixos e preços elevados
O relatório do Rabobank prevê que o mercado global de lácteos deve crescer de forma moderada em 2025, com estoques baixos e preços elevados. Confira as informações completas aqui!
O mercado global de lácteos está preparado para um crescimento moderado em 2025, impulsionado por uma expansão estável da oferta e pela demanda de exportação, de acordo com um novo relatório do banco especializado em agronegócio, Rabobank.
No entanto, como essa taxa de crescimento lenta não deve levar a um grande aumento nos estoques ou a um excesso de oferta, os preços globais dos laticínios devem permanecer elevados. Como resultado, o Rabobank revisou sua previsão para o preço do leite, aumentando-o em 30 centavos, para NZ$ 10,00 (US$ 5,7) por quilo de sólidos do leite [equivalente a NZ$ 0,83 (US$ 0,47) por quilo de leite] na temporada leiteira da Nova Zelândia 2024/25.
No relatório "Crescimento modesto em meio a mudanças no comércio", referente ao primeiro trimestre, o Rabobank prevê que a produção de leite nas sete principais regiões exportadoras (Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Uruguai, Brasil, União Europeia e Estados Unidos) crescerá 0,8% em relação ao ano anterior, com um aumento semelhante na primeira metade de 2026.
O relatório destaca que essa previsão se deve, em grande parte, à recuperação do crescimento da produção na União Europeia, que tem alternado entre expansão e retração nos últimos trimestres, e nos Estados Unidos, onde os ganhos anuais típicos de mais de 1% estagnaram nos últimos anos.
“A expansão da oferta nos EUA está prevista para 2025, mas deve ser modesta, ficando abaixo de 1%”, disse Emma Higgins, analista sênior de agricultura do Rabobank e coautora do relatório.
A Oceania e a América do Sul também devem registrar aumentos na produção, principalmente devido às quedas ocorridas no ano anterior, que tornam mais fácil a recuperação dos volumes. O Rabobank prevê que a produção total das sete principais regiões exportadoras alcance 325,8 milhões de toneladas em 2025, contra 323,2 milhões de toneladas no ano anterior.
Emma Higgins afirmou que o crescimento da oferta global será mais forte na segunda metade de 2025. “O ano começará com ganhos mais lentos na produção, estimados em 0,5% no primeiro trimestre, o que ajudará a manter os preços das commodities firmes. Prevemos um aumento mais acentuado de 0,9% ano a ano na segunda metade de 2025, ultrapassando o pico anterior da produção global de leite de 323,7 milhões de toneladas, registrado em 2021.”
Fora das sete principais regiões exportadoras, a China segue um caminho diferente, com uma queda na produção de leite prevista para os próximos meses. “A produção chinesa caiu em 2024 após vários anos consecutivos de forte expansão, rompendo uma tendência de crescimento”, disse Higgins.
“A redução do rebanho e a queda mais acentuada do que o esperado no último trimestre de 2024 levaram o RaboResearch a reduzir sua previsão para a produção chinesa em 2025, agora estimada em queda de 2,6% em relação ao ano anterior, marcando o segundo ano consecutivo de retração.”
Ela também apontou que os preços do leite no mercado chinês caíram 15% em fevereiro de 2025 (em dólares americanos), desencorajando os produtores a expandirem a produção no curto prazo.
As informações são do interest.co.nz, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
Jogo Rápido
Como funcionam os programas de sustentabilidade nas fazendas leiteiras?
Sustentabilidade vai muito além de medir a pegada de carbono de uma fazenda leiteira. É sobre integrar três pilares: o social, o ambiental e o econômico. Mas você sabia que já existem produtores de leite sendo recompensados por adotar práticas sustentáveis? Isso mesmo! programas de incentivo à produção sustentável já são uma realidade no Brasil e no mundo. Além de impulsionar ganhos financeiros, esses programas funcionam como um verdadeiro "atestado de saúde" para uma fazenda, mostrando que ela está alinhada com o futuro da agropecuária. Entenda mais sobre os programas de sustentabilidade com o Doutor em Ciência Animal, Luiz Gustavo Pereira. Assista clicando aqui. (Milkpoint)