noticias

  • NZ: ASB EXPLICA POR QUE O ÚLTIMO LEILÃO DA FONTERRA TEVE QUEDA DE QUASE 9%

                  De acordo com economistas do banco neozelandês ASB, os mercados de lácteos reavaliaram a previsão de produção de leite da Nova Zelândia. E isso foi a cause de grande parte do declínio nos preços do último leilão Global Dairy Trade. Na última atualização do banco sobre o mercado de lácteos, o banco disse que nas semanas seguintes ao grande corte na previsão de produção da Fonterra e a declaração oficial de seca, os mercados passaram a temer o pior.

                 “Posteriormente em relação a fevereiro, os mercados aumentaram os preços agressivamente em antecipação da escassez de leite da Nova Zelândia – agora, eles mudaram a direção. A previsão de produção não é tão ruim”. De acordo com o ASB, as chuvas ocorreram em muitas partes da Nova Zelândia, reduzindo os medos com relação aos piores impactos da seca. Inclusive o banco disse que, embora o crescimento da produção de leite da Nova Zelândia continue lento, não está caindo bruscamente. Além disso, o ASB disse que a Fonterra aumentou os volumes do leilão e sua previsão de oferta anual no leilão.


                   “Esperamos um crescimento fraco na produção nacional para a estação. Considerando que a produção aumentou em 10% na estação passada, pouco crescimento da produção seria um resultado sólido. Nessa base, vemos os últimos resultados como uma correção na exagerada reação anterior do mercado, mas, é importante notar, achamos que a tendência de aumento de preços continua intacta. Mesmo levando em consideração o declínio, o leite em pó integral aumentou em 28% desde o começo do ano”.


                   Em outras palavras, de acordo com o banco, a história de desaceleração global da produção de leite (apoiada pelos menores preços ao produtor) ainda permanece. Além disso, espera-se que a demanda melhore gradualmente, particularmente na China, onde os menores preços da energia e as taxas de juros devem aumentar as rendas disponíveis e, por sua vez, a demanda.
    O ASB disse que esses fatores provavelmente manterão os preços dos lácteos com tendência de alta à medida que o ano avança. (Agriland, tradução MilkPoint)

  • O desafio de abastecer o mundo

    imagesA crescente demanda por alimentos ganha destaque mediante a estimativa de que nascem 160 mil pessoas por dia. Assim, no mundo todo ganha força a preocupação com a difícil tarefa de suprir as necessidades alimentares, que aumentam na proporção do contínuo avanço populacional. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos próximos dez anos, a produção rural terá de subir 20%. E nós, brasileiros, temos um papel essencial no abastecimento do planeta, pois possuímos território, condições climáticas e mão de obra. demais, contamos com dois grandes aliados: conhecimento tecnológico e políticas públicas adequadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1990 a expectativa de vida aumentou em média seis anos (passando de 62 para 68 anos de vida entre os homens e de 67 para 73 entre as mulheres). Os dados mostram ainda que as nações pobres registraram um aumento mais expressivo, com uma média de nove anos. Ora, se vivemos por mais tempo, com maior poder aquisitivo e com populações cada vez maiores (sobretudo em países emergentes), a consequência mais importante é a elevação da demanda por produtos agrícolas, que são a base da alimentação. Para que a necessidade interna seja suprida e o Brasil consiga margem para exportação, é preciso que nossa produção cresça nada menos do que o dobro da média mundial, ou seja, a uma taxa de 40%. Desse modo, o mundo nos coloca a notável responsabilidade de abastecê-lo.

  • O enigma da Rússia: como suas ações políticas impactam no mercado de lácteos

    30011501Winston Churchill disse a famosa frase: “Não posso prever para vocês as ações da Rússia. É uma charada embrulhada num mistério dentro de um enigma; mas talvez haja uma chave. Essa chave é o interesse nacional russo”. Talvez o interesse nacional russo possa incluir o fim das restrições às importações da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália. O órgão veterinário russo, Rosselkhoznadzor, inclusive, deu um passo nessa direção nessa semana, anunciando que voltaria a permitir importações de gordura e miúdos suínos de seis países europeus. França e Rússia também chegaram a um acordo que permite que o país europeu retome as vendas de suínos vivos à Rússia. Após a epidemia de febre suína africana, a Rússia impôs um embargo às importações de carne suína da Europa no começo do ano passado, bem antes de seus embargos retaliatórios às importações de uma variedade de produtos de Europa, Canadá, Estados Unidos e Austrália em agosto. Os processadores de carne suína da Rússia se esforçaram para substituir as ofertas após o embargo e, sem a retomada do comércio da Europa, eles podem ser forçados a declarar falência. Dessa forma, está claramente no interesse nacional da Rússia a reabertura de suas fronteiras. 

  • O leite e o desenvolvimento cerebral das crianças

    crianças e leiteHá algum tempo publiquei na Revista Leite Integral e aqui no MilkPoint um texto intitulado "Em defesa do leitinho das crianças", falando um pouco da realidade de mães que são quase doutrinadas por pediatras a não darem leite para seus filhos. A repercussão foi tão grande que comecei a pensar em ações maiores para conscientização da população sobre o benefício do consumo de leite, pois, quase diariamente, somos bombardeados com uma série de informações na TV, em revistas, nas redes sociais, e em consultórios de médicos e nutricionistas, condenando o consumo de leite.  A primeira dessas ações foi a criação de um grupo no Facebook, o Beba Mais Leite, composto por técnicos, produtores, pediatras e nutricionistas que defendem o leite com unhas e dentes, assim como eu. O objetivo é que consigamos, em algum momento, nos organizar melhor para fazer uma defesa efetiva desse alimento tão nobre.

  • O maior patrimônio

    beneficios do leite para o organismoÉ difícil mensurar quanto vale a saúde animal para um Estado produtor como o Rio Grande do Sul. Um ponto de partida para essa avaliação seria verificar quanto vale o nosso mercado de carnes. Entretanto, essa cifra não daria a realidade. A ocorrência de uma enfermidade não causa somente perda de mercado. Às vezes, de forma silenciosa, causa o comprometimento do desempenho da atividade. Ocorre produtividade menor, conversão menor e situações limitantes na área reprodutiva. Mas não é diretamente no setor que a sanidade animal impacta. Saúde animal relaciona-se diretamente com saúde pública. Não é possível separá-las. Há um ano, um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirmava que 70% das doenças em humanos seriam originadas nos animais. E, recentemente, a legislação foi alterada, equiparando para efeitos de aporte de recursos a saúde animal à saúde pública. Cientes da importância desse aspecto para garantir a saúde da população, ampliar mercados e gerar renda, há 10 anos as cadeias produtivas propuseram e articularam a criação do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). O fundo foi sugerido pelo setor privado para agilizar indenizações, quando da ocorrência de algum evento sanitário, e investir no fortalecimento da defesa sanitária animal. Hoje, se mostra uma eficiente parceria entre o serviço oficial e as entidades representativas da produção. O Fundesa tem um saldo de R$ 46,8 milhões e muitas metas pela frente. Sem dúvida, precisamos melhorar a participação dos produtores. A conscientização ainda é muito fraca. Em aves e suínos existe o papel da indústria, que capacita e cobra processos e procedimentos com a presença constante de técnicos e veterinários. Temos que levar esta visão de responsabilidade para outras cadeias, trabalhando também com biosseguridade, sustentabilidade e controle do material genético que entra nas propriedades. A maior ameaça enfrentada hoje pelo setor produtivo no Rio Grande do Sul é o contingenciamento de recursos oficiais. Com o corte de verbas temos programas, projetos e outros investimentos descontinuados, provocando a desmobilização dos produtores. O setor produtivo, quando estimulado e demandado, dá a resposta correta e atende aos chamados do serviço oficial. Entre as doenças, temos que continuar de olho na febre aftosa, com a conscientização do produtor para a vacinação e notificação de suspeitas de qualquer anormalidade em todas as atividades. Permanecem os alertas para o controle da raiva, da brucelose e tuberculose, da peste suína clássica, influenza aviária e outras enfermidades que causem prejuízos e merecem a atenção de todos, no legítimo conceito de responsabilidade compartilhada. (Zero Hora) 

  • O preço médio do leite na União Europeia em 2014 foi 2% maior que em 2013

    bandeira ue2Em dezembro voltou a cair o preço médio do leite pago aos produtores do bloco europeu. Chegou a 32,95 €/100 kg, [R$ 1,09/litro], para o leite padrão. Este valor representa queda de 1,15 € em relação ao mês anterior, e 7,12 € quando comparado com dezembro de 2013 (-18%), de acordo com as informações do LTO. A média do ano de 2014 ficou em 38,03 €/100 kg, [R$ 1,26/litro], maior que a média de 37,29 €/100 kg, [R$ 1m,24/litro], apurada em 2013. Entre as empresas, no entanto, os preços variaram muito, desde a italiana Granarolo que pagou o maior valor 44,67 €/100 kg, [R$ 1,48/litro], até a holandesa DOC Cheese, que remunerou seus produtores com 34,93 €/100 kg, [R$ 1,16/litro. Ainda que a média das empresas analisadas pela LTO tenha sido maior que a de 2014, algumas empresas, como as alemãs Müller e DMK, e as irlandesas Kerry e Glanbia, a belga Milcobel e a holandesa DCO Cheese, pagaram em 2014, menos do que em 2013. Na Nova Zelândia, o preço médio pago pela Fonterra, em 2014 foi o equivalente a 29,80 €/100 kg, [R$ 0,99/litro], ou 5,7 €/100 kg menos que em 2013 (-16%). Nos Estados Unidos, ao contrário, o preço médio de 2014 chegou a 41,46 €/100 kg, [R$ 1,37/litro], 25% mais que no ano anterior. (Agrodigital)

  • Oceania - Perspectivas do Mercado Lácteo

    GILGILA produção de leite australiana está sendo beneficiada pelo clima favorável em regiões importantes. Outro estímulo vem das margens que proporcionam bons retornos.  Chuvas ao sul da Austrália, especialmente em Victoria, melhoraram as pastagens. Os produtores diminuíram a demanda por feno, e o preço do volumoso caiu ligeiramente. A taxa de abate de vacas de leite aumentou, diante do elevado preço da carne. O número de novilhas para exportação caiu, uma vez que os produtores seguram seus animais para reposição do rebanho. O Departamento Australiano de Agricultura e Recursos Econômicos (ABARE) projeta aumento de 8% nas exportações de produtos lácteos na temporada 2015/16. As projeções foram estabelecidas com base nas condições médias sazonais e crescimento econômico global de 3,3%. A Dairy Australia divulgou as variações nas produções de commodities lácteas em dezembro de 2014, comparadas com 2013: manteiga (-192%); butteroil (+10,5%); leite em pó desnatado (+12,4%); leite em pó integral (-26,3%); manteiga em pó (-8,2%). Queijo (+19,2%); e soro em pó (-26,3%). O relatório da Dairy Australia mostra ainda que houve aumento de 0,7% nas exportações de lácteos de julho a janeiro, em relação ao ano anterior. As variações entre os lácteos foram: manteiga (-20,1%); butteroil (+10,2%); Cheddar (-13,1%); Leite em pó desnatado (+28,4%); Leite em pó integral (-38,9%); e soro (+0,7%). Na Nova Zelândia a produção de leite cai a taxas crescentes. Algumas estimativas apontam queda de 1,5 a 2% em toda a temporada, em relação à estação anterior. Nas últimas semanas houve aumento nas taxas de abate de vacas leiteiras, acima das taxas verificadas no ano passado. E alguns analistas avaliam que sejam os maiores percentuais em dez anos. Na Ilha Norte as chuvas nas últimas semanas foram abundantes. Na Ilha Sul, as chuvas são escassas, especialmente na região de Canterbury, onde continua bastante seco. (USDA)

  • OCEANIA: Perspectivas do Mercado Lácteo - Junho/2015

    02/06/2015

    01a

    A produção de leite na Austrália teve queda marginal, uma vez que as condições de tempo reduziram os níveis de conforto das vacas. Chuvas e tempo frio na maior parte das regiões produtoras de leite também contribuíram para o aumento no custo com feno. As indústrias continuam o ciclo através da temporada, fazendo as manutenções programadas, remanejando o leite captado para as fábricas disponíveis, mais próximas. O relatório da Dairy Australia mostra que a produção de leite de abril, foi 2,9% acima do volume captado em abril de 2014. O mesmo relatório mostra ainda as seguintes variações na produção de commodities lácteas, até março de 2015, comparadas com 2014: manteiga (+0,5%); butteroil (+21,4%); leite em pó desnatado (+5,8%); leite em pó integral (-2,2%); manteiga anidra (-1,8%); cheddar (+14.4%); e soro de leite (-10,6%).

    02a

    A produção de leite desta temporada, na Nova Zelândia chega rapidamente ao fim. A grande maioria do rebanho já está em pastagens de inverno neste final do mês de maio. O preço de muitas commodities lácteas continuam caindo, mas em taxas percentuais menores, o que pode indicar que os preços estejam chegando ao seu ponto mais baixo. No gDT de 19 de maio, os preços variaram, entre as categorias, de -7,1% a +3,2%, em relação ao evento anterior. (USDA)

  • Os europarlamentares pedem mais medidas para que os produtores de leite possam se adaptar ao futuro sem cotas

    070621142235341Os membros da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu (PE) avaliam que a União Europeia deverá ajudar mais os produtores de leite para que eles se adaptem ao mercado em um novo contexto sem cotas, daqui dois meses, (1º de abril de 2015). Os europarlamentares pediram melhores ferramentas para atender imediatamente as crises de mercado que possam surgir, e criticaram o Conselho por retirar da reforma da PAC, em 2013, propostas do Parlamento Europeu para este fim. Alguns europarlamentares se mostraram favoráveis a que se assegure apoio justo para os pecuaristas e que se busquem meios de reforçar toda a cadeia de produção. Outros enfatizaram que é preciso aumentar a competitividade dos produtores de leite no mercado global para conseguir abrir novos mercados. A produção de leite em zonas desfavoráveis também entrou no debate. Alguns europarlamentares insistiram que os produtores destas áreas precisam de maior apoio, inclusive benefícios específicos. (Agrodigital) 

  • País perde espaço nas trocas comerciais com a Europa

    15/05/2015

    bandeira ue2A zona do euro acelerou ligeiramente o crescimento no primeiro trimestre, com expansão da França, mas também da Alemanha e Itália. Em meio a essa expansão, porém, o Brasil perdeu terreno e foi superado pelo Canadá como décimo maior parceiro comercial dos europeus.

    Estatísticas europeias a que o Valor teve acesso mostram que entre os maiores ganhadores no comércio com os 28 países da União Europeia (UE) estão os canadenses, neste começo de ano. Suas exportações aumentaram 31% para o bloco europeu e suas importações originárias da Europa cresceram 15% entre janeiro e março.


    No mesmo período, as exportações brasileiras sofreram contração de 1% para a UE e as importações procedentes da Europa caíram 2,6%. Mas em março as exportações do Brasil cresceram 12% em relação a março de 2014 para o bloco comunitário, ante resultado negativo em janeiro e fevereiro.


    Em todo caso, a fatia de produtos brasileiros no total importado pela UE está agora em torno de 1,6% ¬ seu menor nível desde 2003. Em 2011, chegou a 2,3% do que os europeus compravam no exterior. A média era de 2%.


    Por sua vez, países como Canadá, Índia e Turquia vêm aumentando sua fatia no total importado pelos europeus.


    "Esse resultado não está acontecendo só com a Europa", afirma Luigi Gambardella, presidente da Associação UEBrasil, que visa estimular negócios bilaterais.


    "O Brasil exporta sobretudo commodities e, com menos demanda, exporta menos. Com a recessão, o Brasil compra também menos da Europa. O Brasil precisa melhorar a competitividade de sua indústria". O Brasil era habituado a superávit comercial com os europeus, que atingiu o pico de € 11,6 bilhões em 2007. Desde 2012, porém, o país passou a acumular déficit, que atingiu € 5,8 bilhões no ano passado. No primeiro trimestre de 2015, o déficit acumulado é de € 1,4 bilhão.


    Os canadenses derrubaram o Brasil da posição de 10º parceiro europeu com trocas adicionais de € 3 bilhões, dos quais quase € 2 bilhões foram aumento de exportações para o mercado europeu. Suas vendas de peças para o setor aeronáutico, com alto valor agregado, quase quadruplicaram.


    No caso do Brasil, o comércio com a UE sofreu contração de € 320 milhões entre janeiro e marco. No período, o Brasil conseguiu aumentar a exportação de café para a UE, assim como minério e aço. E continuou importando mais produtos químicos, por exemplo.


    Para Jonathan Loynes, economista chefe para Europa da Capital Economics, a inflação baixa na zona do euro deve continuar a estimular o consumo nos próximos trimestres. E o euro desvalorizado deve ajudar exportações. Mas persistem riscos de que a crise na Grécia afete a recuperação.


    Em abril, economistas da Organização Mundial do Comercio (OMC) sugeriram que as perspectivas de expansão das exportações brasileiras eram melhores na UE e nos Estados Unidos do que na China em 2015, por causa da desaceleração chinesa e da melhora da situação nas duas outras grandes economias. Em 2014, o Brasil teve a maior queda nas exportações entre as grandes economias. O país caiu três posições no ranking de maiores exportadores (de 22º para 25º) e a participação no comércio global baixou de 1,3% para 1,2% do total. (Valor Econômico)

  • Palestra coloca em pauta a sucessão na propriedade rural

    3ºanoCom o objetivo de discutir o tema Sucessão da Propriedade Rural, a Emater, em parceria com a Embrapa Pecuária Sul e a prefeitura, realizou uma palestra recente para jovens provenientes do meio rural. O evento aconteceu durante a Mostra Agropecuária, que comemora os 15 anos de emancipação do município.

    Para iniciar a atividade, o sociólogo da Embrapa Pecuária Sul, Jorge Sant'Anna, falou sobre os aspectos que envolvem a decisão do jovem permanecer na atividade rural, ou ir buscar outras experiências no meio urbano. Para Sant'Anna, muitos fatores podem contribuir para que o jovem continue no meio rural. Ele acredita que melhorar as condições de renda e trabalho, através de ciência e tecnologia, é um ponto que deve ajudar. "O meio rural não precisa ser atrasado, explorador e precário", diz. Segundo ele, outra questão que deve ser pensada pelo governo é o desenvolvimento de políticas públicas que auxiliem na conquista de crédito, acesso à comunicação, como internet e telefonia móvel de qualidade. "É preciso haver uma mudança de mentalidade.

    A sucessão rural, muitas vezes, envolve pensar na morte de um ente querido, e isso acaba sendo um tabu. Também acaba mexendo com o poder paternal, pois para ela transcorrer com naturalidade é preciso que o chefe da família perca seu poder ou pelo menos passe a dividi-lo com o mais jovem", explica o sociólogo. De acordo com Sant'Anna, a propriedade rural precisa começar a ser vista como uma empresa familiar. "Começar a enxergar a produção rural através da perspectiva moderna da teoria da administração pode fazer com que a sucessão seja um assunto debatido com mais facilidade", conclui ele.

    Após a palestra do sociólogo, o público foi divido em dois grupos para realizar uma técnica de representação teatral. Um deles desenvolveu uma situação em que um dos filhos da família deveria ter o desejo de permanecer na propriedade. No outro, os jovens possuíam o desejo de partir para o meio urbano. Nas duas situações os participantes apresentaram os motivos para cada uma daquelas escolhas serem feitas, através de diálogos teatrais. Atividade terminou com uma mesa redonda sobre o tema, onde o público presente expôs suas histórias e discutiu sobre os fatores expostos.

    Para a extensionista de bem-estar social da Emater, Luana Alves, a discussão do tema é importante. De acordo com ela a constante evasão rural desperta a preocupação com o futuro da produção de alimentos. (Jornal do Comércio)

  • Parque Assis Brasil

    A secretaria da agricultura vai buscar parcerias para recuperação de estruturas do parque assis brasil, em esteio. Na semana que vem, se reúne com o conselho gestor do parque. Temporal em dezembro causou r$ 1,48 milhão em prejuízos, segundo laudo da secretaria de obras.

  • Perspectivas do mercado lácteo – Europa

    A produção de leite na Europa Ocidental diminuiu nas últimas semanas. Os produtores de leite que estão acima da cota enfrentam resistências, e procuram reduzir a produção de diversas formas para evitar o pagamento de multas. As taxas de abate de vacas leiteiras aumentam nestas áreas onde as quotas foram ultrapassadas. Dados preliminares sobre os países que estão acima das quotas apontam menor consumo de lácteos do que um ano atrás.  A demanda por leite fluido é normal para esta época do ano. Os produtores estão manejando os rebanhos de forma a obterem um forte início de temporada sem quota, em 1º de abril. O Newcronos – Estat da UE-28 relata que de janeiro a outubro a captação de leite está 5,4% acima dos níveis do mesmo período anterior.

  • Perspectivas do Mercado Lácteo: Oceania

    21/05/2015

    jr01

    A produção de leite na Austrália aumentou ligeiramente nas últimas semanas, com a entrada em ordenha de vacas paridas no outono. A expectativa é de que a produção caia na próxima semana, depois que a primeira onda de frio significativa atingiu a maioria das bacias leiteiras do país. Muitas indústrias cumprem o cronograma de manutenção, e suspendem a fabricação de produtos, e o leite é transferido para a fábrica mais próxima que esteja em operação. A demanda é fraca e as compras das últimas semanas são para atender as necessidades de curto prazo. A comercialização de feno aumentou com a chegada do frio, e muitos vendedores já esgotaram seus estoques, embora a oferta esteja adequada. A Dairy Australia contabiliza exportações de 565,7 mil toneladas de produtos lácteos, 2,2% acima dos embarques realizados no mesmo período do ano passado. As variações percentuais das vendas de alguns produtos foram: manteiga (-23%); manteiga anidra (+0,1%); cheddar (-13,3%); leite em pó desnatado (+29,4%); leite em pó integral (-34.3%) e soro de leite (+4%).

    A produção de leite na Nova Zelândia decresce à medida que chega o fim da estação. Algumas cooperativas reduziram mais uma vez os preços aos produtores, o que provavelmente irá acelerar a secagem de vacas, transferindo-as para pastagens de inverno. A melhoria nas condições do tempo no final da temporada fez com que houvesse novas projeções para a produção de leite. A previsão agora é de que a produção seja 1,5% maior em relação à temporada anterior. Segundo a DCANZ, a produção de leite de março foi de 1.749 milhões de toneladas, queda de 0,9% em relação a março de 2014, mas, 21% acima da produção de dois anos atrás. A produção de sólidos totais cresceu 1,1% em relação ao mesmo mês de 2014. (USDA)

    jr

  • Pesquisadores mapeiam áreas de pastagens no país

    05/06/2015

    bovino leiteiroJá se tornou senso comum dizer que a expansão da fronteira agrícola brasileira não se dará sobre as florestas mas sobre pastagens degradadas. A dúvida mais imediata que essa afirmação levanta é: qual o tamanho dessa área e o que pode ser considerado degradação? A falta de uma base estatística federal tem suscitado números díspares de 20 milhões a 50 milhões de hectares, dependendo da fonte, o que tem prejudicado o debate sobre o desenvolvimento do campo em um cenário de proteção ambiental mais rígida. Com US$ 545 milhões no bolso  doados pela Fundação Gordon and Betty Moore, dos EUA e apoio da consultoria Agroicone, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), pretende pôr fim a essa lacuna com um mapeamento inédito das áreas de pastagens em todo o território nacional. A intenção é que ele esteja concluído até outubro de 2016 e seja então disponibilizado em um portal sobre pastagens e pecuária, já em funcionamento desde o ano passado.

    "O portal servirá como um grande "data gateway" sobre pastagens e pecuária no país", diz Laerte Guimarães Ferreira, coordenador do Lapig o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento vinculado à universidade. Para tanto, mais de 20 pesquisadores do Lapig estão rodando o país para "pisar em pasto". Já foram visitadas áreas no Pará e Tocantins e expedições percorrem nesta semana uma rota de Mato Grosso ao Acre.

    Estima-se que a área total de pastagens no Brasil alcance 168 milhões de hectares, incluindo as produtivas e degradadas. O problema, diz Ferreira, está na última categoria: não há uma metodologia que defina o que é degradação ou os diferentes graus em que ela pode ocorrer.

    Segundo ele, trata-se ainda de um conceito muito subjetivo e, portanto, difícil de ser capturado e mapeado através de uma base operacional de imagens remotas. "Ninguém tem essa localização e não há metodologias para monitorar as pastagens a partir de imagens de satélite", explica Ferreira.

    Um dos conceitos de degradação é o agronômico quando a área é assolada por outras plantas que competem com o pasto e prejudicam a alimentação do animal. Outra é a degradação biológica, referindo¬se às deficiências do solo. E degradações são também influenciadas dependendo da localização geográfica. "Por isso, para falar sobre degradação precisamos antes definir uma base sobre a qual as pastagens podem ser identificadas segundo um certo grau de potencial produtivo", diz o pesquisador.

    Além do mapeamento, os pesquisadores do Lapig querem responder a duas perguntas: qual a tendência dos pastos brasileiros e quais serviços ecossistêmicos eles podem oferecer. A literatura internacional já comprovou que um pasto bem manejado sequestra carbono (o que é bom para minimizar a mudança em curso no clima), transfere mais água para a atmosfera (necessária para a recomposição das chuvas) e também é mais lucrativo para os próprios pecuaristas. (Valor Econômico)

  • PIB do agronegócio do País aumentou 1,60% em 2014

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro cresceu 1,60% no ano passado em comparação com o desempenho de 2013, segundo indica levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/Universidade de São Paulo (USP). Esse resultado, embora inferior ao apresentado pelo setor em 2013, é expressivo tendo em vista a prévia do PIB nacional, estimada pelo Banco Central, indicando retração de 0,15% para a economia brasileira em 2014. O desempenho só não foi ainda melhor porque houve retração na agroindústria, principalmente no decorrer do segundo semestre do ano passado. No indicador global do agronegócio, a agricultura fechou 2014 com ligeira queda, de 0,74%, enquanto a pecuária apresentou desempenho expressivo, crescimento de 6,92%. A renda do agronegócio brasileiro, segundo o levantamento, está calculada em R$ 1,178 bilhão, sendo R$ 800,57 bilhões (68%) referentes ao setor agrícola e R$378,30 bilhões (32%) da agropecuária, levando-se em conta os preços praticados em 2014. Na agricultura, o único segmento que apresentou desempenho positivo, embora modesto, foi o primário (0,15%). Já a pecuária teve crescimento em todos os setores, sendo destaque o segmento primário, que acumulou expansão de 8,32% em 2014. A agroindústria, que apresentou desempenho modesto, acumulou, ao longo do ano, passado queda de 0,32%. Dos setores acompanhados pelo CNA/Cepea, na agroindústria, apenas três apresentaram índices positivos em 2014: celulose, etanol, café e papel e gráfica. Na pecuária, as cotações em alta foram responsáveis pela expansão do segmento. Os preços dos suínos e bovinos mantiveram ritmo acelerado, ao contrário do frango vivo e do leite cru, que apresentaram desvalorização. Apesar de ter perdido ritmo em dezembro, o segmento primário do agronegócio terminou 2014 com um crescimento de 3,72%. Na agricultura, por exemplo, a queda nos preços teve influência decisiva sobre o desempenho do setor. É que houve recuo na cotação média das atividades de 2,23%, entre janeiro e dezembro de 2014, na comparação com igual período de 2013. (Jornal do Comércio)

  • Piracanjuba iniciará projeto de recria de fêmeas

    piracanjuba 200Um dos maiores obstáculos relacionados à pecuária leiteira, atualmente, diz respeito à alta mortalidade de bezerras, com um impressionante percentual, cuja estimativa gira em torno de 25% a 30% dos animais jovens. A perda é alta e o controle gera custos significativos, exigindo mão de obra especializada, solução esta que não é acessível a todos os produtores. Atenta a essa realidade, a Piracanjuba, por meio do Piracanjuba Pró-Campo – programa de apoio técnico ao produtor de leite, que tem como principal objetivo oferecer melhores condições práticas e de conhecimento para que os produtores possam alcançar a excelência em sua atividade – lança o Projeto de Recria de Fêmeas. A iniciativa visa formar produtores, técnicos e funcionários interessados no assunto para reduzir a mortalidade de bezerras, tendo como consequência maior tempo de vida produtiva, diminuição de custos com mão de obra e aumento de produtividade nas propriedades rurais.

  • Piracanjuba lança Pirakids Vitamina

              Praticidade e qualidade reunidas num só produto. A Piracanjuba amplia a linha Pirakids e lança a bebida láctea UHT no sabor vitamina de frutas. Com polpa de mamão, banana e maçã, sem conservantes e com corantes naturais, o produto promete conquistar não só as crianças, mas o público em geral. “A alimentação dos filhos é sempre um desafio para os pais. E variar o que os pequenos vão levar na lancheira não é uma tarefa nada fácil. O Pirakids Vitamina vem suprir essa demanda. Também é uma excelente opção para os intervalos entre as principais refeições e pode ser levado para qualquer lugar”, afirma a gerente de marketing da Piracanjuba, Lisiane Guimarães. O produto é feito à base de leite integral e, inicialmente, está disponível nas embalagens de 200 ml. “Trata¬-se de um complemento da família Pirakids, que é grande aliada dos pais, por proporcionar saúde e nutrição adequada para os filhos. Em troca, a criançada recebe muito sabor e qualidade”, reforça Lisiane.

               A linha Pirakids é composta pelo leite UHT Pirakids Crescer, fortificado com ferro, zinco e vitaminas A, C e D, além de ser rico em cálcio, tornando o leite um alimento ainda mais completo; pela bebida láctea UHT Pirakids Zero Lactose, no sabor chocolate, uma opção a mais para quem tem intolerância à lactose; e pela bebida láctea UHT Pirakids sabor chocolate, nas versões 1 litro, em embalagem Edge com tampa de rosca, e 200 ml, com canudo. “A linha Pirakids atende uma fatia de mercado muito específica e queremos aumentar nossa participação nesse segmento”, finaliza a gerente. O Pirakids vitamina chegará ao mercado no mês de março e poderá ser encontrado em atacados, supermercados, hipermercados, lojas de conveniência, cash & carry e empórios de todo o Brasil. A embalagem do produto foi desenvolvida pela Pande, agência de design especializada na gestão de marcas. (Terra Viva)

  • Piracanjuba prevê avanço de 25% na receita

    08/05/2015

    piracanjuba 200Quando uma onda de aquisições chegou ao setor de lácteos nos já distantes anos 2007 e 2008, os irmãos César e Marcos Helou, donos do goiano Laticínios Bela Vista decidiram que precisavam traçar um plano de crescimento para a empresa, fundada em 1955, na cidade de Piracanjuba (GO). Era isso ou virar alvo. "Decidimos fazer um plano de crescimento, tomando três atitudes: deixar de fazer marca própria [para terceiros], focar na nossa marca e fazer uma nova profissionalização da empresa", conta Cesar Helou, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

    Essa estratégia de crescimento incluía, segundo ele, ter fábricas no Sul e no Estado de Minas Gerais, principal bacia leiteira do país, e "quem sabe" no Nordeste. Quase oito anos depois, o Bela Vista, dono da marca Piracanjuba, tem hoje, além da unidade em Bela Vista de Goiás, a principal da empresa, fábricas em Maravilha (SC) e em Governador Valadares (MG). A fábrica no Nordeste não está mais nos planos.

    Com os investimentos nessas novas unidades, que somaram R$ 150 milhões nos últimos quatro anos, o Laticínios Bela Vista foi uma das empresas que mais ampliaram a captação de leite para processamento no país em 2014. De acordo com a Leite Brasil, a companhia ficou em quarto lugar no ranking dos 13 maiores laticínios do país no ano passado, com 1,032 bilhão de litros de leite adquiridos, 24,6% acima dos 828,6 milhões de 2013. A previsão para este ano, segundo Helou, é de um aumento mais modesto na captação, na casa dos 5%.

    Capacidade instalada para ser utilizada a companhia tem, mas o gargalo é a oferta de leite, que deve ser menor este ano nas regiões de Minas Gerais e Goiás, onde estão duas das fábricas da empresa, por conta da seca que afetou as pastagens. "Quando fizemos o orçamento em 2014, achávamos que o crescimento seria de 20%, mas com a seca refizemos a previsão", lamenta.

    Helou afirma que a captação da matéria¬-prima pela empresa cresceu nos últimos anos para atender o aumento expressivo da capacidade de produção por conta das duas novas fábricas inauguradas em 2011 (Maravilha) e 2014 (Governador Valadares). A empresa também investiu em produtos de maior valor agregado, como leite sem lactose lançado em 2013. Com as três fábricas, a capacidade de processamento do Bela Vista hoje é de 4,310 milhões de litros de leite por dia, mas a produção média está em 2,827 milhões de litros diários, reflexo da oferta ajustada de matéria¬-prima por causa do clima. Desde 2010, o laticínio mais do que dobrou a capacidade de processamento, que era de 2,050 milhões de litros por dia quando apenas a unidade goiana existia.

    A maior produção ¬ e a aposta em itens como leite sem lactose ¬ garantiram um crescimento importante na receita da companhia nos últimos anos, segundo Helou. O faturamento avançou 60% de 2012 para 2013 e mais 20% no ano passado, quando alcançou R$ 2,090 bilhões líquidos, informa. A previsão é de novo aumento este ano, entre 20% e 25%. "O crescimento na receita deve ser maior que o da captação principalmente por causa dos produtos de maior valor agregado", avalia.

    Com 30% da receita da empresa proveniente de leite longa vida, Helou considera que mesmo com as incertezas na economia brasileira é possível atingir o incremento de até 25%, uma vez que todo o restante do faturamento da Piracanjuba é de produtos de maior valor agregado. Conforme Helou, o Bela Vista tem atualmente uma fatia de 40% do mercado de leite sem lactose, que é de 100 milhões de litros no país. "O consumidor procurava por produtos sem lactose", diz, para justificar a aposta.

    Neste ano, a empresa fez seis lançamentos na linha de produtos sem lactose, entre os quais doce de leite, creme de leite e leite condensado. O Laticínios Bela Vista também está relançando a marca Leitbom no mercado. O ativo foi adquirido no ano passado da LBR ¬Lácteos Brasil, que está em recuperação judicial.

    De acordo com Cesar Helou, o Laticínios Bela Vista deve investir outros R$ 80 milhões este ano. Os recursos serão utilizados na instalação de estruturas para o tratamento de efluentes, na construção de um novo escritório central e em equipamentos. (Valor Econômico)

  • Plano Nacional de Exportação: tem foco no curto prazo enquanto país não soluciona deficiências

    08/06/2015

    foto08bra 101 monteiro a4Limitado pelo esgotamento de recursos do Tesouro Nacional e sem a bonança externa que ajudou o Brasil até 2011, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, preparou o Plano Nacional de Exportação, que será anunciado pela presidente Dilma Rousseff no dia 23, com cinco pilares de sustentação: acesso a mercados mediante acordos comerciais; Facilitação do comércio; Financiamento, seguro e garantias; Melhora dos regimes tributários especiais e promoção comercial. Em síntese, a base do programa é um comércio mais livre. nesse conjunto há medidas específicas, como um reforço do Proex Equalização, que pode dobrar (hoje é R$ 1,5 bilhão) ; Maior alavancagem do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que opera de forma muito conservadora; Além de mudanças no drawback e flexibilização nas regras do Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle (Recof), que beneficia pouco mais de 20 empresas, para que possa incorporar companhias de menor porte.

    A depreciação cambial, mesmo com as demais moedas tendo também se desvalorizado frente ao dólar, porém, deixou o país em posição relativa melhor. "Com esse câmbio podemos compensar uma série de desvantagens competitivas que o Brasil tem e que ainda vai carregar por algum tempo, ligadas à questão da infraestrutura, baixa produtividade e sistema tributário".

    O plano obedece a uma lógica de mais curto prazo, até que esses entraves estruturais sejam resolvidos. "Nós sabíamos que estaríamos ingressando em um período de severas restrições fiscais", disse ele. "E antevíamos um quadro em que muito provavelmente uma parte substancial dessas desonerações seria desmontada." Monteiro diz acreditar que, nesse contexto, será possível construir as bases do programa, junto com o setor privado. "Começamos a sentir que vários setores ¬ alguns, por exemplo, que tinham colocado a exportação fora do radar durante algum tempo, por vários problemas, voltaram a olhá-la"

    Em uma conjuntura recessiva, as exportações se apresentam como a alternativa para as empresas operarem e, segundo Monteiro, elas já estão se mobilizando para isso. Olhar para o mercado externo, porém, não é mais uma opção conjuntural. Deve ser permanente e fundada em uma política de inserção global.

    A seguir, os principais trechos da entrevista:

    Valor: Ministro, o governo anuncia dia 23 o Plano Nacional de Exportações. Do que ele consiste?

    Armando Monteiro: O Plano está estruturado em cinco pilares. O primeiro deles é a política de acesso a mercados. Nós temos que ter uma política comercial ativa, que tenha um olhar sobre as diferentes regiões do mundo, mas que não seja uma visão apenas regional. O segundo pilar é a facilitação de comércio.

    Valor: Como?

    Monteiro: Já temos o Portal Único de Comércio Exterior, que simplifica os processos e procedimentos administrativos e aduaneiros ligados a operação de comércio exterior. O conceito do Portal significa trabalharmos com a janela única. O governo passa a interagir com o setor privado com um ente unificado.

    Valor: Acaba com os vários guichês?

    Monteiro: Isso, fica um guichê único. Hoje o operador, para fazer uma exportação, tem que dialogar com três, quatro órgãos diferentes. Nessas interfaces são feitas exigências diferentes e muitas ainda em papel. Nós vamos passar a interagir como um ente só. Em uma ferramenta de transparência, chamada de Visão Integrada, o exportador conseguirá ver onde está seu processo no governo. Tudo será eletrônico, sem papel.

    Valor: Isso reduzirá o tempo de tramitação em quanto?

    Monteiro: A média para a importação é de 17 dias; Nós traremos para 10 dias; Na exportação a média cairá de 13 para 8 dias. Com isso teremos a mesma média de tempo dos países da OCDE. E ao reduzir os prazos, nós estamos falando de redução de custos. Esse será um dos temas que vamos tratar na ida aos Estados Unidos: como o nosso portal vai dialogar com o dos americanos.

    Valor: Qual é o terceiro pilar?

    Monteiro: Financiamento, seguro e garantia, que é importantíssimo e muito sensível, por causa das restrições fiscais. Temos o Proex, que é o programa de financiamento às exportações; e a equalização, que é um instrumento importante sobretudo para exportar serviços e manufaturas. Ele dá as condições mínimas de aproximação com os padrões dos países concorrentes.

    Valor: A equalização, que é um subsídio, está sob restrição fiscal?

    Monteiro: Nossa visão é que se existe um subsídio que tem relação custo benefício muito favorável, é o Proex¬-Equalização, porque alavanca muito fortemente a exportação. A relação entre o que você gasta no Proex e o que você faz de exportação é impressionante e alcança algo como 1 para 40.

    Valor: Qual o orçamento do Proex-¬Equalização?

    Monteiro: A dotação é de R$ 1,5 bilhão, mas queremos ampliá-¬la. É evidente que para fazer um plano de exportação é preciso recalibrar os instrumentos, e há demanda. Nós queremos quase dobrar esse valor. Isso está em discussão.

    Valor: E na parte das garantias?

    Monteiro: Esse é outro ponto importantíssimo! Você não exporta sem um sistema robusto de garantia. Tem o FGE, o Fundo de Garantia à Exportação, que tem uma posição ultraconservadora. A exposição do FGE é mínima. O fundo tem patrimônio de mais de US$ 16 bilhões e exposição que, agora, com a variação do câmbio é de 1 para 5. Pelos parâmetros prudenciais internacionais podemos dobrar essa exposição, e temos essa expectativa.

    Valor: Para completar, ministro, e o quarto pilar?

    Monteiro: É algo também sensível nessa hora, mas está caminhando muito bem: o aperfeiçoamento de alguns regimes tributários especiais na área de exportação. Tem o drawback, que é a desoneração de todos os insumos importados ou adquiridos no mercado interno (o verde¬ amarelo) utilizados no produto que vai ser exportado. Hoje, as operações de drawback são feitas mediante registro de um ato concessório por produto, por operação, junto à Secretaria de Comércio Exterior. Queremos fazer o controle por empresa, em uma espécie de débito ¬crédito. Isso vai facilitar tremendamente sua utilização. O drawback ampara 25% das exportações brasileiras e é uma ferramenta poderosíssima. E tem o Recof [Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado], que é um primo rico do drawback, porque ele é mais seletivo e coloca as empresas numa espécie de linha azul. O que a gente quer fazer no drawback já é automático no Recof.

    Valor: Mas terá alguma mudança nele também?

    Monteiro: Vamos flexibilizar um pouco a regra de modo a alcançar empresas de menor porte. Hoje o Recof é muito seletivo e nele só se enquadram vinte e poucas empresas. E o último pilar é a promoção comercial e, aí, temos uma estrutura já relativamente bem montada, que é a da Apex, e temos a questão da inteligência comercial, pois precisamos ter informações sobre os mercados, ter capacidade de entender algumas tendências, certo?

    Valor: Voltando ao primeiro ponto, do livre comércio, do acesso a mercados, o governo agora está empenhado em fazer acordos comerciais. O que mudou?

    Monteiro: O que mudou são as dores do processo [de ajuste] e a necessidade de procurar mercado. Demos os primeiros passos para os Estados Unidos, México e União Europeia. Tem a discussão de ampliação dos acordos de livre comércio, ou obter, por exemplo, espaço para se ter uma maior margem de preferência tarifária.

    Valor: Esse é o caso da negociação com o México, não?

    Monteiro: No caso do México essa é uma questão presente. Nós temos um acordo de 2002, que só confere preferência tarifária a 800 produtos. É pouco, porque há pelo menos 6 mil produtos identificados para ampliar a corrente de comércio. Nós fomos ao México discutir esse acordo de complementação econômica e a nossa disposição é considerar um universo de mais ou menos 3 mil produtos logo num primeiro momento. O objetivo é o comércio integral. Agora, temos áreas em que não precisamos discutir tarifa. Por exemplo: o mercado americano.

    Valor: As barreiras são outras?

    Monteiro: A primeira viagem que fiz como ministro foi aos Estados Unidos. Quis traduzir, nessa iniciativa, a visão de que o mercado americano é extraordinariamente importante para o Brasil. O que importa não são tarifas, que já são baixas, mas barreiras não¬ tarifárias, de caráter regulatório. É uma agenda que a gente chama de convergência regulatória ou de harmonização de normas técnicas.

    Valor: Essas negociações vão avançar na visita da presidente aos EUA?

    Monteiro: Vamos exatamente fazer avançar essa agenda de facilitação de comércio. O que eu estou querendo dizer é que o acesso ao mercado está ligado também ao reposicionamento da política comercial. Queremos ter uma postura mais agressiva, queremos nos integrar a uma rede de acordos comerciais e aos fluxos comerciais que têm mais dinamismo. Diz-¬se muito, e em parte é verdade, que o Mercosul é uma certa trava, mas para o México e para os países da Aliança do Pacífico não temos nenhum problema com o Mercosul. Com o México nós temos absoluta abertura para fazer um acordo de livre comércio. Com o Chile, o Peru e a Colômbia já temos um cronograma de desgravação. Com o Chile temos alíquota zero, praticamente, e com Peru e Colômbia, podemos ter em 2018 ou 2019.

    Valor: Então o acordo do Mercosul e União Europeia sai?

    Monteiro: A posição do Brasil, agora, é ofensiva. Estamos muito empenhados em dizer à União Europeia "Nós queremos trocar as ofertas". Pelos dados anteriores, a UE considera que devemos fazer algo próximo de 90% da corrente de comércio e que vai se desgravando [reduzindo gradualmente as tarifas] em um horizonte de 15 anos. Temos, porém, alguns ajustes para fazer intrabloco.

    Valor: Com a Argentina?

    Monteiro: Sobretudo com a Argentina que, por ter indústria, é algo mais sensível.

    Valor: O sr. disse que "as dores" do processo de ajuste da economia mudaram a disposição do governo para um comércio mais livre. O câmbio também dá uma mão, não é?

    Monteiro: Os anos de apreciação cambial produziram um efeito terrível, especialmente na indústria. Agora o câmbio está nos oferecendo uma situação melhor ¬ não que você tenha algo extraordinário, porque as outras moedas também se desvalorizaram perante o dólar. Mas a nossa posição relativa melhorou com a flutuação. Com esse câmbio podemos compensar uma série de desvantagens competitivas que o Brasil tem e que ainda vai carregar por algum tempo, na infraestrutura, na queda da produtividade, no sistema tributário.

    Valor: Nesse contexto, o papel do plano de exportação se torna relevante?

    Monteiro: O plano tem um efeito mobilizador do setor empresarial. Para construí¬lo fomos conversar com o setor privado e começamos a sentir que vários setores ¬ alguns que já haviam colocado a exportação fora do radar por algum tempo ¬ voltaram a olhar o mercado externo.

    Valor: Por exemplo?

    Monteiro: Setores tradicionais, por exemplo o têxtil, de bens de capital, de cerâmica. O único crescimento que a Abimaq registrou o ano passado foi exatamente na exportação. O Brasil exportou quase US$ 2,4 bilhões de máquinas e equipamentos para os EUA. O setor automotivo, que ficou amparado nas altas tarifas de importação...

    Valor: Já foi mais exportador no passado, não?

    Monteiro: No passado a indústria automobilística chegou a vender 800 mil unidades no mercado externo. Hoje restou a exportação de umas 250 mil unidades para a Argentina. Olhando o cenário atual, se o setor automotivo é mais moderno, se tem produtos de padrão mundial, o que falta para a indústria exportar? Faltava ela entender que a demanda doméstica caiu. Os números estão aí: queda de 27% no último mês; e de mais de 20% na média no acumulado de um ano.

    Valor: Não seria o caso de exportar da base industrial daqui?

    Monteiro: Há decisões que se dão intrafirma. Por exemplo: o EcoSport, da Ford, era vendido para o mercado mexicano a partir da base brasileira e, ao longo do tempo, essa equação mudou. Poderíamos suprir parte da demanda do mercado americano a partir da planta da Fiat no Brasil.

    Valor: Essa é a saída para as montadoras no curto prazo?

    Monteiro: Acho que a exportação é um canal óbvio. Agora, o Brasil tem que fazer muita coisa nessa perspectiva. Primeiro, ter um olhar sobre o comércio exterior mais permanente. O comércio exterior no Brasil sempre foi uma válvula conjuntural. Há vendas associadas a serviços e é precisa estruturar o canal de comercialização.

    Valor: O plano tem metas?

    Monteiro: Não. Pretendemos ampliar a base de empresas exportadoras, que é muito concentrada. Só 20 mil empresas brasileiras exportam e, dessas, 40 empresas respondem por mais de 50% do comércio exterior. O desafio é fazer com que a média empresa brasileira industrial ¬ e a pequena, numa certa medida ¬ entre na exportação. Na discussão do plano, queremos valorizar a participação também das médias e pequenas empresas comerciais exportadoras (tradings).

    Valor: Com a taxa de câmbio mais depreciada é possível produzir superávit comercial este ano?

    Monteiro: Temos esse objetivo e já estamos identificando algumas coisas. Por exemplo: há certo surto de substituição de importações já pelo efeito do câmbio em algumas áreas. É como se a indústria estivesse recuperando espaços no mercado doméstico, porque as importações ficaram mais caras. Na balança comercial o resultado que virá primeiro é esse, de substituição de importação.

    Valor: Definido o Plano de Exportação, quais os seus próximos passos, ministro?

    Monteiro: Política industrial.

    Valor: Outra?

    Monteiro: Eu defendo e vou continuar a defender a ideia do que é política industrial. Não é um pacto com a ineficiência e não é reclamar proteção e subsídios. Acho que é preciso fazer uma aliança clara do setor privado com o governo com o objetivo de fortalecer a indústria, porque em última instância todos reconhecem que a indústria é um ativo importante. Se você olhar a experiência do que aconteceu lá fora, na Coreia, por exemplo, foi uma aliança muito forte dos governos com o setor privado.

    Valor: Há uma sequência de políticas industriais no país...

    Monteiro: Sim. Nós tivemos três gerações de política industrial mais recentemente que tiveram lá a sua lógica, mas o fato é que agora nós estamos desafiados a repensar a política industrial à luz das novas condições internacionais. Nesse momento estamos discutindo amplamente com entidades, com o ambiente acadêmico, com os setores, porque nós precisamos oferecer isso. As gerações de política industrial que nós tivemos estavam muito presas a resultados macro.

    Valor: E o que seria micro?

    Monteiro: Por exemplo, um grande programa para elevar a produtividade da indústria.

    Valor: Como?

    Monteiro: Tem uma série de coisas aí, desde programas de extensão industrial e tecnológica, a ideia de criar uma espécie de Pronatec ¬Empresa, para focar os programas de capacitação na verdadeira demanda, olhando a produtividade da empresa. Tem setores da indústria mais tradicional que estão muito envelhecidos. A idade média das máquinas em alguns setores alcança mais de 20 anos, 25 anos, enquanto que os padrões internacionais são de oito anos, alguma coisa assim. Precisamos reduzir o custo dos insumos para criar pela base a competitividade da indústria. E aí, se houver espaço para alguma desoneração ¬ porque mão é uma questão para os próximos seis meses, vamos ter processos horizontais de desoneração, associados à formação de preços da indústria. E aí você lembra logo do custo da energia e de alguns insumos também, que a gente precisa ver.

    Valor: A redução das tarifas de energia foi-¬se embora com os aumentos mais recentes e ainda deixou uma conta pesada.

    Monteiro: Foi¬-se embora, houve aí todo esse processo, mas não se pode deixar de olhar a questão do custo da energia, se você quiser ter uma indústria competitiva.

    Valor: Agora só para a gente terminar, sei que o sr. está com compromisso; Política industrial vai ser o próximo passo?

    Monteiro: Eu acho que o próximo passo é a gente explicitar as linhas da nova política industrial.

    (Valor Econômico)

Sindilat

Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados
do Estado do Rio Grande do Sul

Contato

Av. Mauá - n° 2011 - Sala 505 - Centro
Porto Alegre / RS
CEP 90030-080

Fone: (51) 3211-1111 - Fax: (51) 3028-1529
E-mail: sindilat@sindilat.com.br

Newsletter

Nome
E-mail
Estou ciente que receberei as newsletter da Sindilat/RS
Back to top